terça-feira, 30 de junho de 2009

19 anos: que presente lhe daria?

Ah, os filhos, que maravilha é essa? Dangerosíssima aventura. Bem diferente de pisar na Lua; de descobrir os mistérios do mar; dos gols do seu time do coração; do primeiro beijo. Quem os têm deve saber do que estou falando e quem ainda não os têm, um dia saberá. Mas deixando Drummond pra trás, me apego ao adágio popular: “Filhos, se não temos como sabê-los”.

Tive a felicidade de a Áurea ter me dado duas filhas, atualmente adolescentes. Uma delas: completa 19 anos, hoje. E eu queria presenteá-la com algo diferente. Mas acontece que só consigo me entender no mundo quando escrevo. Então, filha, o seu presente só pode ser um presente escrito. Paciência.

Pensei em dar-lhe uma joia construída sobre o tecido efervescente da emoção, da mais pura emoção, é verdade. Por que sou assim mesmo. Não é? Quando as coisas não passam pelo coração, eu nada entendo!

Espero que me compreenda, presente escrito é diferente de presente comprado. Sei que um presente escrito a gente pode comprar também nas livrarias. Mas nas livrarias não encontrei nada que tivesse a sua marca. Então tive de construir o seu presente fazendo criteriosas escolhas semânticas, as quais remetessem ao doce raro que você é pra gente.

Não. De jeito nenhum quero resignificá-la, mesmo por que ninguém resignifica aquilo que já é, desde de todo o sempre. Desejo apenas que saiba que todos os dias agradeço aos céus pelo presente primeiro. Sim.Você é uma bênção. Agora, me diz que presente lhe daria? Sei lá, vou arriscar, heim! Talvez uma ponte que nos unisse mais ainda, ou quiçá,o profundo sublime do céu por onde a gente costuma se encontrar. É isso. Está decidido. Uma ponte e o profundo sublime do céu. Tudo bem?

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domingo, 28 de junho de 2009

Sábado com as famílias

Ontem fizemos uma apresentação memorável na Saraiva do Shopping Iguatemi, em Campinas. O setor infantil ficou lotado de crianças, tias, avós... Enfim, a família reunida é a coisa mais linda do mundo. A plateia cantou, recitou, brincou, se emocionou e nos emocionou (a mim e ao Salatiel). Na oportunidade, encontramos até conterrâneos do saudoso escritor mineiro, Elias José, o casal de Guaxupé, Elder e Patrícia, que lá estavam acompanhados da filhinha Larissa.

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Por falar em família, abaixo segue a foto de uma família que eu gosto muito


Adelson, Mel e Anninha Marinelli

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Poesia e música para crianças

Foto: Paulo Arias
Amanhã, sábado, 27, às três da tarde, eu e o Sala vamos nos apresentar na Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi, de Campinas. Na oportunidade vamos convidar a plateia campineira a cantar, a recitar e a jogar com palavras. O evento acontece no setor infantil da livraria. No cardápio: cantigas de roda, trovas populares, trava-línguas e um mundão de coisas que não dá pra revelar.

Em julho
a gente vai cumprir temporada no Centro Cultural de São Paulo, na Sala de Leitura. Estaremos por lá nos dias 4, 5, 18, 19, 25 e 26 sempre às duas e meia da tarde.

Tanto na Saraiva quanto no Centro Cultural de São Paulo a entrada é franca.

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terça-feira, 23 de junho de 2009

Moinho de sonhos*

por João Anzanello Carrascoza

A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem ia ao lado, a pé. Andavam sem rumo havia semanas, até que deram numa aldeia à beira de um rio, onde as oliveiras vicejavam.

Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e a oferta de serviço abundante, resolveram ficar. O homem arranjou emprego num moinho próximo à aldeia. A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em terras ao redor de um castelo. Levou consigo o menino que, no meio do caminho, achou um velho cabo de vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de Rocinante.

Ao chegar aos olivais, o menino encontrou o filho de outra colhedeira − um garoto que se exibia com um escudo e uma espada de pau.

Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve junto à sua mãe, sem saber como se libertar dela. Vigiavam-se. Era preciso coragem para se acercar. Mas meninos são assim: se há abismos, inventam pontes.

De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a conversar, embora um e outro continuassem na sua. Logo esse já sabia o nome daquele: o menino recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho.

Começaram a se misturar:

− Deixa eu brincar com seu cavalo? − pediu Sancho.
− Só se você me emprestar a sua espada − respondeu Alonso.

Iam se entendendo, apesar de assustados com a felicidade da nova companhia.

Avançaram na entrega:

− Tá vendo aquele moinho gigante? − apontou Alonso. − Meu pai sozinho é que faz ele girar.
− Seu pai deve ter braços enormes − disse Sancho.
− Tem, mas nem precisava − respondeu Alonso. − Ele move o moinho com um sopro.

Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a contar:

− Tá vendo o castelo ali? − apontou. − Meu pai disse que o dono tem tanta terra, que o céu não dá pra cobrir ela toda.
− E se a gente esticasse o céu como uma lona e cobrisse o que tá faltando? − propôs Alonso.
− Vamos − concordou Sancho.

Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo, entre os dois. Um sopro de vento passou por eles. Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho.

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* Este belíssimo conto faz parte do livro Era Uma Vez Para Sempre, organizado por Marcelo Maluf e ilustrado por Fábio Tremonte (Terracota). O livro já está à venda nas livrarias. Gostei demais da maneira como o livro foi organizado. Autores, ilustrações: tudo de muito bom gosto. No final do volume o escritor Nelson de Oliveira faz uma defesa pertinente sobre a importância da literatura infanto-juvenil.

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domingo, 21 de junho de 2009

Lua Encantada

Esse pessoal da Lua Encantada é fogo mesmo. Veja o vídeo
que eles preparam sobre a minha visita.



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sábado, 20 de junho de 2009

Fotos de um dia lindo

Fotos: Regina - Lua Encantada


O barco das emoções primeiras


Dudu: um menino que tem pássaros nos olhos


A nave estava lotada e os olhinhos do Augusto doeram


Anita comanda a turma encantada


Como diria o poeta Cacaso: Minha Pátria é a minha infância

Não tem como não dizer que adorei o riso elástico do Pedrinho, o riso discreto do Henrique, as bochechas mais lindas do mundo da Ana, a eletricidade cativante da Anita, o carinho da Bruna, a quem eu chamo de Brunita, a lindeza da Natália. Ih, já ia me esquecendo: senti falta da Juju.

Fica pra próxima.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Dia lindo



Saiu o meu mais novo livro: A Mulher Torta. Ontem recebi alguns exemplares com as belas ilustrações da Constança Lucas. Aí, hoje, fiz uma espécie de lançamento para as crianças da Escola Lua Encantada, da Vila Clementino. Adorei a escola. Fiquei com vontade de morar lá. Não é exagero, não. Então compartilhei com os meus amiguinhos a história.

Depois fomos conhecer melhor as dependências da escola. Teve até café com um montão de guloseimas que eu adoro. Devo publicar as fotos deste encontro nos próximos posts. Na hora da comilança perguntei ao Dudu para que ele me contasse qual tinha sido o dia mais legal da vida dele. Sem pestanejar, o menino disse: Hoje. Ah, essas crianças viu! No balanço tinha umas oito, todas de olhos fechados. Uma disse que estava vendo o espaço sideral; a outra, as estrelas e você Augusto? - o Augusto é um dos menores da turma. Ele respondeu chiando: Os meus olhos estão doendo!

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Quando cheguei em casa, depois que fiz a sopa de cebola pro seu Mané e pra dona Flora, encontrei um envelope gordinho. Chegou pelo correio. Numa tacada só recebi 5 livros. Eram dos escritores e queridos amigos Luiz Braz e Tereza Yamashita. Um deles, inclusive, é o título que eles vão lançar amanhã às 15h30, na Livraria Martins Fontes da avenida Paulista. Era Uma Vez Para Sempre. Puxa, e ainda tem gente que diz que a sexta-feira é um dia aziago!

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Ainda em tempo, amanhã estarei aprontando das minhas na Saraiva do Shopping Ibirapuera. Confira na Agenda ao lado.

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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ceumar mostra "Meu nome"



A cantora Ceumar vai se apresentar nos Sescs Interlagos
(20 de junho) e Santana (27 e 28). Na oportunidade cantará
músicas de sua autoria que compõem o seu mais novo CD
"Meu Nome". Pra quem gosta de leveza, se prepare pra voar.

Com participação de Sergio Pererê e outros.

Em julho ela canta no Teatro Paiol, em Curitiba
03,04 e 05), no Sesc Santo André 24) e no Pompeia (30)
na comemoração de 10 anos do Projeto Prata da Casa.

Mais informações:
(011)2971-8700

http://www.ceumar.com.br


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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Papagaio, arraia, curuja...

Este texto, escrito por Câmara Cascudo, foi retirado do site www.memoriaviva.com.br/cascudo/blog/actahist.htm. Faz parte da sua Acta Diurna 3, a qual foi publicada em Natal-RN, no dia 7 de julho de 1947. Boa leitura.


Papagaio, arraia, curuja de papel, com cauda de molambo, rucega faiscando na ponta numa provocação, ainda o vemos no ar, nas tardes doces de verão, riscando o céu nas descaídas e trepadas bruscas do combate.

Tudo que é humano interessa ao Homem, ensina a Etnografia.

Papagaio é o nome que lhe deram os portugueses. Arraia é uma alusão à forma romboidal do peixe, arraia ou raia, imitada pelo papagaio de papel. Curuja é que não sei a razão...

Sei é que o nosso papagaio de papel, empinado pela mão menina de todos os tempos, tua e minha, despreocupado leitor, nos veio de muito longe e há muito tempo.

Quando os portugueses desembarcaram em Macau, na China, no ano de 1514, impressionaram-se com os papagaios de papel, voando nas alturas, divertimentos de gente moça e de gente velha. Crianças e mandarins, ontem e hoje, há séculos e séculos, brincam com papagaio que no Brasil é apanágio de idade verde.

Não se recordam de Tin-Xim-Fu, o Mandarim de Eça de Queiroz, morto pelo som da campainha mágica quando soltava na tarde macia o seu papagaio de seda amarela?

Ainda os chineses o usam, primeiro de todos os divertimentos, e o exportam para o Japão onde se tornou nacional e popular. John Finnemore descreve uma batalha entre dois papagaios, manobrados por dois pequeninos nipões impassíveis. Cronin, o romancista inglês que todos conhecem, fala no papagaio, no último capítulo do Chaves do Reino (The Keys of Kingdom).

Os portugueses trouxeram o papagaio para a América do Norte, do Centro e do Sul.

E como voava nos céus da China nas primeiras manhãs do século XVI, continuou a fazê-lo sob o Sol dos trópicos.

Com um papagaio, Benjamin Franklin experimentou a eletricidade atmosférica.

Por isso, leitor, vendo um Papagaio, Arraia, Curuja, bailado no ar, lembra-te do teu tempo, das gerações que brincaram com essa lembrança oriental, recebida de chineses quando o Brasil amanhecia para a história do mundo...

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terça-feira, 16 de junho de 2009

Só um sentimento



Senti isso as dezesseis e pouco enquanto observava
os meus sobrinhos jogando futebol no quintal da casa dos
meus pais. Ultimamente ando assim, meio sem chão, meio
sem objetivos, meio sem paciência. A vida mudou. É a vida
mudou. Mudou e não deixou endereço. Todos os lugares
aonde vou estão fechados. As conversas não são para mim.
Em que século estou? Às vezes dá uma vontade de sair
batendo de casa em casa, perguntando se tem alguém afim
de uma conversa, de uma trivial conversa que seja, quiçá
de um riso banal. Besteira. Besteira. A vida mudou.
É a vida mudou. Mudou e não deixou endereço e
nem sequer pistas. Que inveja que dá daqueles moleques
descompromissados jogando futebol no quintal da casa
dos meus pais as dezesseis e pouco. Ah, que inveja
desses danadinhos!

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quinta-feira, 11 de junho de 2009

Era Uma Vez Para Sempre

Olá, Cara de Pavio!

Abaixo segue o convite enviado pelos queridos amigos Luiz Bras e Tereza Yamashita. Trata-se do lançamento do livro Era Uma Vez Para Sempre , o qual foi organizado pelo escritor e arte-educador Marcelo Maluf.



O livro contém vinte contos infanto-juvenis de autores veteranos como: Tatiana Belinky, Heloísa Prieto, Jorge Miguel Marinho, Leo Cunha, além dos amigos citados, entre outros.

Com histórias que vão do realismo poético ao imaginário fantástico, o livro apresenta um panorama diversificado da literatura produzida para jovens leitores no Brasil.


Quando:
Será no dia 20 de junho às 15h30, na Livraria Martins Fontes da Paulista.

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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Pippi Meialonga é a "Emília sueca"

Olá, Cara de Pavio!

Hoje, o jornal O Estado de S.Paulo publicou um texto do Geraldo Galvão Ferraz, no qual o autor compara essa personagem espivetada à genial Emília de Monteiro Lobato.

A boneca Emília, criada por Monteiro Lobato, recheada de macela e linguaruda como ela só, é certamente o personagem mais emblemático da literatura infanto-juvenil brasileira. Da mesma forma, para as crianças européias, uma espevitada parecida é a campeã do gênero. Pippi Meialonga, contudo, não é uma boneca, mas uma menina de 9 anos e cabelos cor de cenoura, que mora com um cavalo, um macaco e uma mala cheia de dinheiro. Criada por Astrid Lindgren em 1945, Pippi é atrevida, irreverente e divertida.

Suas aventuras empolgam e agora podem ser lidas pelas Pippis brasileiras numa tradução do sueco e com ilustrações perfeitas de Lauren Child. De uma luta com o homem mais forte do mundo a encrencas com a polícia, Pippi aventura-se por situações incríveis e, no que talvez seja a melhor lição do livro, é independente e generosa. Astrid Lindgren é uma ótima contadora de histórias; não é por nada que seus livros venderam 145 milhões de exemplares e já foram traduzidos em mais de noventa línguas. (Pippi Meialonga, de Astrid Lindgren, Companhia das Letrinhas, 208 págs., R$ 45). Há uma edição de 2001, mas esta é mais caprichada, faz jus ao conteúdo.


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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Elias José

Olá, Cara de Pavio!

foto: do blog www.artistaseartes.com.br



Amanhã, 06, eu e o Sala vamos nos apresentar no Colégio Pathernon, de Guarulhos. Quase um ano depois que estivemos lá pela primeira vez. Naquela ocasião cruzamos com aquela figura risonha, que caminhava em passos lentos. Estou falando do escritor Elias José.

Quando o vi ali. Não tive dúvidas: o chamei para ver a nossa apresentação numa sala abarrotada de pais e filhos. O Sala musicou um poema dele - O grilo.

Reparei que durante a nossa apresentação o Elias parecia encantado. Não tive como não associar a sua feição de serenidade aos versos de uma poesia do Manoel de Barros:

"Até alguém chegou de me ver passar
a mão no cabelo de Deus!
Eu só queria agradecer".


Acho que o Elias sabia bem dessas coisas. Pra nós que amamos a sua poesia fica a saudade.

O nosso encontro aconteceu no dia 14 de junho. No dia 02 de agosto, aos 72 anos de idade, o autor faleceu na cidade de Santos.

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Em tempo, sábado à tarde (15 horas) estarei na Saraiva do Shopping Iguatemi de Campinas e no domingo também às (15 horas) na Saraiva do Shopping Eldorado - São Paulo.

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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Quermesse Maluca!!!

Olá, Cara de Pavio!



No próximo sábado, 06 de junho, o escritor Henrique Félix vai participar do Projeto Vitrine da Livraria Casa de Livros com o livro que ele escreveu Quermesse Maluca. Se você puder, vá prestigiar o cara. Ele só tem um defeito: é Corinthiano, mas fazer o quê? Ninguém é perfeito! Não é mesmo?


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