sexta-feira, 31 de julho de 2009

Vagarejo

Foto: Andréa Camargo

Hoje à noite vou participar do show Vagarejo, juntamente com os meus amigos Alberto de Camargo, Regina Vasques, Hanilton Messias e Paulinho Straiotto.

O evento acontece dentro do Projeto Canto de Julho.

O show será no Espaço Cultural Grande Otelo(Rua Dimitri Sensaud de Lavaud, 100 - Próximo à Prefeitura de Osasco)

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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Meu jeito não toma jeito


Senhores e senhoras, moçoilos e moçoilas cá estou no meu mundo inventado procurando um pretexto pra merecer ser lido.

Se você gosta de novidades acho melhor procurar outro escrevinhador. Sou sujeito das coisas que passam pelo coração. Quando não passam, nada entendo. É o meu jeito.

Meu jeito é criador de ovelhas às dezessete e cinco na mesa de um bar. Uma coisa não entende ou não quer entender: como é que eu ainda não aprendi a me localizar em mim mesmo.

Uma vez, o meu jeito, quis ser Papai Noel, mas achou isso muito chato e partiu pra outra. Agora é descobridor de mistérios. Esse meu jeito não toma jeito! Não suporta essa coisa nojenta que insiste e de ré inventa o riso na vida triste, como se a tristeza fosse algo que não exisitisse.

Mesmo não querendo o meu jeito se ilude, toma todas, rola na cama, diz pra si mesmo os maiores impropérios e sabe muito bem que quando as coisas não passam pelo coração, ele nada entende.

Sempre. Às vezes. De vez em quando. Sei lá! O meu jeito é aprendiz do que diz e do que faz. De manhã é aurora, de tarde é domingo e de noite é pra nunca mais se esquecer. Paixões do meu jeito que jamais vou compreender.

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terça-feira, 28 de julho de 2009

La Carne: guarde bem este nome

foto: fotoblog la carne
La Carne é uma banda de rock de Osasco. A qual tem como vocalista e letrista o Linari (o conheci nos anos 1980 como Maninho). Hoje encontrei o cara com a sua Julieta passeando pelo Sesc Pompeia. Ganhei dele o mais novo Cd intitulado Granada.

Meu Deus!

Granada é de doer; é de arrepiar. Granada liberta sentimentos verdadeiros. O CD é uma obra que casa felizmente o talento de uma banda que dá uma sonoridade absurda à voz marcante e às letras do Linari.

Se fosse só isso... Tudo é muito bem cuidado, até as participações especiais como, no caso, da atriz e vocalista da banda Fábrica de Animais, Fernanda D’umbra . Numa das faixas, ela dá voz a uma citação do poema “Elegia a Dona Joana, a louca − de Frederico Garcia Lorca.

Sem dúvida, Granada é porrada e afeto, o tempo todo. Granada é um berro contra a hipocrisia e os absurdos da vida urbana. Não tem como não se emocionar com versos como os que vão na faixa-título: “Ah Granada! Terra santa e desgraçada quitaúna dos meus sonhos meus pesadelos fogem como sombra”.

Tive a impressão - ao ouvir este Granada - de que acompanhava a um roteiro como de um filme que nos conduz pelas ruas, becos e guetos das grandes e médias cidades brasileiras. Mas conversa também com os dramas banais como o que é cantado na faixa Malasuerte.

Fiquei completamente arrebatado. Granada é obra de arte no melhor sentido da expressão. Faz muito tempo que eu não sentia um treco desses. Confesso que, ao ouvir cada faixa do CD, me arrepiei com a qualidade do trabalho produzido pela banda de Osasco.

Se você quiser conhecer mais um pouco do trabalho da banda, visite o site dos caras: www.lacarne.com.br

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Uma pausa

A leitura de boas obras me causam uma coisa que não sei explicar. Comecei a ler o clássico Ana Karenina, de Tolstói e confesso que ainda estou impactado com a maneira como o autor começa o seu célebre romance.

Como diria o filósofo Serginho Chulapa - o qual os amantes do futebol conhecem bem - o escritor "chega chegando". Vai tomar banho!

Só mesmo sendo um gênio pra começar um romance dessa maneira:

"Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira".

Feito o registro, volto à leitura.

Obs: A edição que estou lendo é de 1971 - Abril Cultural e tem a tradução de João Gaspar Simões e contou com a assistência do professor Boris Chnaiderman. Adquiri essa joia num sebo da rua Dr. Vila Nova, em Sampa.

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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Balaio faz show para crianças surdas

Foto: Ana Lasevicius
Neste final de semana, o grupo Balaio de Dois - composto por Paulo Netho e Salatiel Silva - encerra temporada do show Ecos de Amor, na sala de leitura da biblioteca Sérgio Milliet, no Centro Cultural de São Paulo. As duas últimas apresentações vão contar com a participação especial de Elizabeth Figueira. Ela vai traduzir para as crianças os poemas e as canções do português para a Língua Brasileira de Sinais.

Essa iniciativa faz parte do Programa Livre Acesso do CCSP que promoveu, em 2008, uma mudança significativa em termos de acessibilidade. O local ganhou equipamentos para melhorar o acesso aos conteúdos culturais - bibliotecas, peças teatrais, cinema e exposições - reformas e piso tátil para cegos, consolidando um trabalho que objetiva garantir o acesso aos equipamentos culturais para as pessoas com deficiência.

Programação com a intéprete de LIBRAS Elizabeth Figueira juntamente com o grupo Balaio de Dois: somente nos dias 25 e 26/07 (sábado e
domingo)
, às 14h30. Entrada franca.


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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Coisinhas tinhosas



É um hábito. Costumo levar as minhas preocupações para um passeio matinal. Se um dia esqueço, a coisa vira um problemão. Só vendo! Quando isso acontece, sempre vem uma preocupação − uma bem gorda − e chia comigo como que exigindo o cumprimento da tarefa.

Preocupações são coisinhas tinhosas, mandonas. Se a gente não fizer o que elas querem, não nos dão folga. De jeito nenhum. Então pra viver em paz com essas danadinhas, algumas ações são importantes como, por exemplo, levá-las a um passeio e repousá-las nas folhas das árvores, na procissão de formigas, na alegria dos cães babões, nas invenções de crianças aladas, nos passos lentos dos velhos, no voo dos pássaros. Enfim, no silêncio que se movimenta.

Um pouco de exercício também é de bom alvitre. Preocupações precisam fazer exercícios. Um ótimo é pedalar nuvens; sempre dá bons resultados. Mas nada se compara ao sagrado exercício do riso. No começo, as preocupações − por serem sérias demais − procuram refugar tal iniciativa, mas aos poucos acabam cedendo aos fetiches de uma frase espirituosa, aos ornamentos de gracejos que nos levam a uma necessária distração cômica.

Aí quando você volta do passeio, as preocupações estão todas acalantadas e dormem no berço do esquecimento.

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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ceumar, imperdível!



A cantora Ceumar vai mostrar as músicas do seu mais novo CD "Meu nome" em vários palcos do país. Eu irei ao show do Sesc Osasco, onde ela estará contará com a participação especial de Kléber Albuquerque. Imperdível.


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terça-feira, 21 de julho de 2009

De mudança



Pra ser sincero
mudei de endereço
agora moro
no esquecimento
e sempre que posso
troco de casca.

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sábado, 18 de julho de 2009

Domingo tem mais

Quem foi hoje ao Centro Cultural de São Paulo se divertiu com o nosso Balaio de Dois. Ecos de amor encheram de graça aquela Sala de Leitura. Fizemos novos amigos como os irmãos Afonso, Pedro e Paulinho. Revimos gente como a Amne e o Antonio. Crianças e adultos embalados pelo sabor contagiante da música e da poesia. As fotos abaixo foram tiradas pela amiga Amne e retratam o que foi a nossa apresentação. Eu e o Salatiel Silva agradecemos a presença de todos e avisamos que domingo tem mais. Começa às 14h30, no mesmo local. Grátis.


Olha a Nora!


Sala mandando cantigas


Antonio, Vitória e Pedrinho


Este adorável sapeca é o Gabriel; o menino é bom no trava-língua


Os dois do Balaio


Tentando pegar o mosquito


Amne veio de Atibaia com o seu amado Antonio

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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Tem Balaio no CCSP

Foto: Ana Lasevicius
Ecos de Amor, este é o título do show infantil que o Grupo Balaio de Dois vai apresentar neste final de semana, (sábado e domingo às 14h30) no Centro Cultural de São Paulo(Rua Vergueiro, 1.000). A entrada é franca.

Durante os 60 minutos de show, Paulo Netho e Salatiel Silva convidam a plateia a cantar e a recitar, bem como, a embarcar - literalmente - no voo leve rumo ao universo infantil.

O Grupo não se utiliza de recursos como cenários e nem iluminação. O jogo com a plateia é baseado apenas na palavra falada e cantada.

Há diversos momentos no show que encantam como na hora em que Paulo Netho recita o poema Se essa cidade fosse minha e Salatiel Silva toca e canta a cantiga de roda Se essa rua fosse minha.

Quando o assunto é o medo, a imaginação e os ânimos da criançada ficam aguçados. Medos, medinhos e medões são temperados com graça e humor. Depois de alguns sustinhos, é chegada a hora em que a gargalhada rola livre, leve e solta.

Aqui, o Grupo apresenta as trovas-populares e os trava-línguas. A plateia experimenta o prazer de tentar dizer um simples trava-língua como o singelo: casa suja, chão sujo.

O repertório é composto não só com poesias e canções do Grupo. Constam também as cantigas de rodas, os acalantos, os trava-línguas, as trovas populares, as adivinhas, além de brinquedos e brincadeiras.

Dentre as composições da dupla estão os sucessos Rabiga, O elevador, Medo, A Nora, A mulher torta, Desidério, Lobo bobo e o mosquito entre outras. Músicas que fazem parte dos CDs Ciranda de Cantigas e Coisas de Arrepiar.

Além de canções e poesias próprias, o Grupo trabalha também com autores como Manoel de Barros, José Paulo Paes, Elias José, Sérgio Capparelli e Chico dos Bonecos.

No final, quem vê gosta e quem não viu, fica logo sabendo.

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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Destemperanças

Quando destampei o céu
me forrei de estrelas.
Mentira? Me forrei sim.



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Ensaio aberto

Hoje, às 19h30, as atrizes Bianca Marques e Julianize Myjnyk fazem um ensaio aberto do texto Voo Cego, sob a coordenação de Élder Sereni. O ensaio vai ser na Oficina Cultural Alfredo Volpi, em Itaquera - São Paulo. Entrada franca.



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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Sem brincadeira!

Sem brincadeira! este é o título do mais novo livro do escritor Henrique Félix, autor dos livros Chinês ao contrário, Quermesse maluca e Aventuras de um micróbio amarelinho. As ilustrações, as belas ilustrações, são de Jean-Claude R. Alphen.

Ilustração: Jean-Claude R. Alphen

Henrique Félix contou por e-mail ao Cara de Pavio que quando estava no processo de construção desse livro, teve a ideia de incorporar à narrativa um conto da escritora mineira Sonia Junqueira, “o conto que escolhi é um que eu gostava (e gosto) muito”. Trata-se do texto “O menino bocó” um reconto adaptado pela autora do conto acumulativo “O menino e a avó gulosa”, compilado por Luís da Câmara Cascudo e publicado no livro: Contos tradicionais do Brasil.

Sem brincadeira! é uma divertida história contada a partir das redações de um menino chamado Guilherme. O garoto adora ler e quando sua professora lhe pede que escreva uma redação sobre a coisa que mais gosta de fazer, o menino não cumpre exatamente a tarefa e começa a produzir uma série de textos sobre sua vida em casa e na escola.

O livro retrata também o cotidiano do escritor que é convidado a falar com os alunos nas escolas. Guilherme acha muito chato ficar entrevistando autores, então resolve fazer uma surpresa para a fictícia autora Marta Taquaral. Mas qual será a surpresa? Só lendo o livro, sem brincadeira!

O livro sai pela Editora Positivo e deve chegar às livrarias em Agosto próximo.

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terça-feira, 14 de julho de 2009

O relógio marcava meio-dia



Hoje o meu amigo Chico dos Bonecos faz aniversário. Segundo ele mesmo próprio escreveu: "chorei pela primeira vez no dia 14 de julho de 1959, em Belo Horizonte, Minas Gerais - o relógio marcava meio-dia-panela-no-fogo-barriga-vazia".

Se tem uma pessoa que sabe ser amiga dos amigos, essa pessoa é o Chico. Recentemente, ele lançou o belíssimo livro "Muitas coisas, poucas palavras" pela editora Peirópolis. Atualmente, o mestre se divide entre São Paulo e a sua Roça Iluminada, como se refere a Belo Horizonte.

Para conhecer mais sobre o autor, visite o sáitigudáiti, o qual está linkado ao lado na minha lista de sites e blogs.

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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Besta, que nada!

Fotos: Alexandre Abreu


Sábado passado, na Saraiva do Shopping Anália Franco, jogamos mais uma vez o jogo da vida. Poesia, histórias, brinquedos, risos, sustinhos e muita descontração. Convidei as crianças e os seus pais para me ajudarem a quebrar o gelo de uma tarde que parecia fria, besta e sem novidades. Besta, que nada! A gente se divertiu à beça. No final até ganhei presentes das minhas amiguinhas, Gabi e Bia, elas sempre me prestigiam nos eventos em que participo pela cidade.





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sexta-feira, 10 de julho de 2009

XIII Congresso de Educação

Hoje fiz duas apresentações em Presidente Prudente. Foi no XIII Congresso de Educação da cidade. Recitei poesias minhas e de outros autores como José Paulo Paes, Elias José e Sérgio Capparelli, os quais eu adoro.

Mostrei também os meus bilboquês, assim como divulguei o meu novo livro A Mulher Torta. A sede da Unoeste ficou bem bonita com a mistura de crianças e professores. Quando a plateia já estava na mão, mandei ver a história do Pinto Pelado no Reino dos Trava-línguas.

Depois que acabou a apresentação, autografei livros e até posei para fotos com as crianças e educadores, conversei com pais e filhos que, através da leitura e do livro, atavam ainda mais os laços que os unem.

As fotos devo publicar nos próximos posts.

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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Paulo Netho em Prudente

Nesta sexta, 10 de julho me apresento no XIII Congresso de Educação de Presidente Prudente. Já estou na cidade onde fui acolhido pelo pessoal da Editora Saraiva.

No sábado, 11, às 16 horas me apresento na Livraria Saraiva do Shopping Anália Franco e um pouquinho mais tarde às 18 horas farei uma participação especial no show da Banda Subtotal dos meus irmãos de coração: Dráusio e Douglas. A banda se apresenta no Espaço Cultural Grande Otelo, em Osasco.




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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Os ovos da mãe do Vadola

O Vadola foi comprar ovos para a mistura do almoço. Com o dinheiro que a sua mãe lhe dera comprou uma dúzia e ainda sobraram uns trocadinhos, com os quais o menino passou no bazar da dona Anastácia e comprou três bolinhas de gude: uma azul, uma vermelha e uma branca com detalhes verdes.

As bolinhas, o Vadola colocou no bolso do short xadrezinho de tergal, o saquinho com a dúzia de ovos, segurou com todo o cuidado, como se estivesse abraçando algo de muito valioso.

Nisso, um menino − muito do mequetrefe − assim que o viu gritou:
− E esses ovos aí, Vadola, são de ouro?! − disse isso e riu o intrometido.

Claro que o Vadola fez de conta que as abobrinhas proferidas por aquele tagarela não se dirigiam a ele, e seguiu em frente.

Todavia, no meio do caminho de volta para casa, o Vadola encontrou uns colegas que jogavam bolinha de gude na calçada próxima da casa do Tonico e foi jogar também. − Uma partidinha só não ia fazer mal algum − ele pensou.

Acomodou o saquinho com a dúzia de ovos sobre o muro, e assim que se certificou que os mesmos estavam seguros, sacou do bolso daquele short xadrezinho de tergal, uma linda bolinha de gude branca com detalhes verdes e se pôs a jogar.

De repente: catapimba, prequeté, tibuf! Ouviu-se aquele estrondo. Quando um dos garotos viu o saquinho marrom todo espatifado no chão (com aquela cacaria), gritou alarmado:
− Vixe, Vadola! − Não são os ovos da sua mãe!?

O Vadola ao ver a meleca de cascas, claras e gemas pelo chão quase teve um treco. Sua feição − de risonha e corada − transformou-se em chorosa e empalidecida. E o Vadola se desesperou, e o Vadola ficou agitado, e o Vadola coçou freneticamente a cabeça, quase que arrancando-lhes os próprios cabelos...

Se o Vadola chorou? Chorou e muuuito! Primeiro, foi um chorinho esmilinguido. Depois, um choro − que mais parecia um motor de motocicleta − engasgado. Depois, um choro daqueles de limpar os pulmões. Deu até para ver que o desenho e os contornos de suas gengivas e as inflamadas amídalas. Bicho feio!

Quando, enfim, o Vadola conseguiu se acalmar, disse desesperado:
− O que é que eu vou fazer? − A minha mãe vai me matar! E tornou a abrir o bocão.

Os outros meninos, ao vê-lo naquele estado, tiveram pena dele, mas nada podiam fazer. O Delei, que sempre carregava uns trocos no bolso, então falou:
− Vadola − disse com firmeza − toma esse dinheiro aqui e compre os ovos da sua mãe − vai lá, vai!
− Mas... − Mas...

O Vadola chegou a gaguejar − de tão feliz que ficou − só faltou dar um beijo de agradecimento no Delei. Enquanto limpava com o dedo as trilhas de lágrimas que escorriam-lhes pelo rosto, ele olhou bem no olho do amigo e lhe disse:
− Puxa Delei, você salvou a minha vida − e continuou − nunca mais vou me esquecer dessa sua atitude!

Imediatamente enfiou a mão no bolso do short xadrezinho de tergal e sacou duas bolinhas de gude novinhas em folha: uma vermelha e a outra azul e ofertou-as ao amigo como prova de sua gratidão e eterna amizade.

Mas aí, a mãe do Vadola, uma nordestina parruda, saiu no portão da casa dela e chamou o filho:
− Vadola, ô, menino mole duma figa, cadê os meus ovos?!

O Vadola, refeito do susto, estufou o peito e assim que se aproximou da mãe, disse-lhe triunfalmente:
− Demorou um pouquinho só porque as galinhas ainda estavam chocando os ovinhos. Mas aqui estão eles, sãos e salvos.

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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Carinhocandura

Foto: Cyntia Macedo


Pedacinhos do pouco que somos vamos deixando aqui e acolá e pedacinhos dos outros vamos colhendo aqui e acolá também. Sempre que me encontro com as pessoas há uma simbiose de carinhocandura que não sei explicar. De fato, como cantou Caetano: gente é outra alegria bem diferente das estrelas.

Jogar o jogo das emoções com as pessoas, sem dúvida nenhuma, é a maior alegria da minha vida. Quando estou diante das minhas plateias − compostas por crianças, pais, tios, avós e, sobretudo, gente com vontade de voar − sinto-me em paz. Zona de conforto total!

Há 12 anos, juntamente com o meu amigo Salatiel Silva (o Sala) criamos um espetáculo de poesia e música para crianças de todas as idades, no qual quem assiste também é participante. Estou falando do Balaio de Dois.

Costumamos dizer que o Balaio de Dois é um brinquedo falado e cantado, sem artifícios e pirotecnias, banha-se apenas na água diáfana da simplicidade. Em cena, estamos em estado − amplo, total e irrestrito − de Infância. Então mandamos ver poemas, cantigas, trocadilhos, trovas, trava-línguas... As palavras voejam pra bem longe da chatice.

Sem nos darmos conta, nós e a plateia, somos uma coisa só. Todos nós embevecidos por uma minúscula e invisível fração milagrosa: a vida se livra das suas amarras e joga o jogo da leveza.

Isso acontece sempre e aconteceu ontem novamente no Centro Cultural de São Paulo, onde estamos cumprindo uma curtíssima temporada. Caso você ainda não conheça o Balaio de Dois, deixo aqui um convite: nos próximos dias 18, 19, 25e 26 de julho sempre às 14h30, a gente se apresenta lá e a entrada é franca.

Esperamos você para uma troca de carinhocandura.

Se quiser assistir alguns vídeos do Balaio de Dois nos procure no Youtube ou no nosso blog http://balaiodedois.blogspot.com

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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Final de Semana

Hoje tem estreia no teatro

O meu amigo Marião reúne a trupe do Cemitério dos Automóveis na Praça Roosevelt.



Efeito Urtigão
Texto e direção : Mário Bortolotto

com Mário Bortolotto e Paulo de Tharso

Onde:Satyros 2 - Praça Roosevelt, 134
Todas as sextas do Mês de julho - Até dia 31/07
Ingressos: R$ 20

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E amanhã tem Balaio de Dois no CCSP

Foto: Paulo Arias

Quando: Sábado,4, e domingo, 5, às 14h30

Onde: Centro Cultural de São Paulo

Rua Vergueiro, 1000. Entrada Franca

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A querida amiga Isa Ferreira(A Pretinha)
vai se apresentar no projeto Canto de Julho,
o show "A alegria no fundo da voz"

Quando: domingo, 05, às 16 horas.
05/julho 16h

Onde:Espaço Cultural Grande Otelo
R. Dimitri Sensaud de Lavaud,100 - Vila Campesina, Osasco.

Classificação: Todas as idades

Ingressos: Inteira R$ 10. Meia R$ 5.

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quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sortudo

Quase todo mundo que eu conheço tem uma vantagem pra contar. Só eu que não tenho. Não ligo pra essas coisas. Mentira esfarrapada! Senti inveja brava dos sortudos que estão na Flip; dos campeões de ontem da Copa do Brasil. Da felicidade daqueles que hoje festejam a entrada na casa nova...

Deve ser bom realizar um sonho. Deve ser bom sonhar. Faz tempo, desaprendi. Disseram-me que eu sonhava demais e agora sonho de menos. Vai entender as pessoas!

Aprendi a me desculpar. Tenho desculpas pra tudo: pra não ir; pra não ser e até mesmo pra deixar de existir existindo. Se fizer sol, o sol é problema. Se chover, a chuva é o fim. Hoje choveu em São Paulo. Ufa! Ainda bem que não sai de casa!

Acho que sou sortudo também.

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