30/10/2010
Balaio na estrada
*Aqui vai um agradecimento todo especial para os funcionários CCSP: Valéria, Denise, Elisa, Maria, Maria Helena e Cláudia pelo carinho como nos acolhem sempre.
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29/10/2010
Balaio de Dois na área!
poesias, trocadilhos...
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28/10/2010
Tô Só
Vamo brincá de ficá bestando e fazê um cafuné no outro e sonhá que a gente enricô e fomos todos morar nos Alpes Suíços e tamo lá só enchendo a cara e só zoiando? Vamo brincá que o Brasil deu certo e que todo mundo tá mijando a céu aberto, num festival de povão e dotô? Vamo brincá que a peste passô, que o HIV foi bombardeado com beagacês, e que tá todo mundo de novo namorando? Vamo brincá de morrê, porque a gente não morre mais e tamo sentindo saudade até de adoecê? E há escola e comida pra todos e há dentes na boca das gentes e dentes a mais, até nos pentes? E que os humanos não comem mais os animais, e há leões lambendo os pés dos bebês e leoas babás? E que a alma é de uma terceira matéria, uma quântica quimera, e alguém lá no céu descobriu que a gente não vai mais pro beleléu? E que não há mais carros, só asas e barcos, e que a poesia viceja e grassa como grama (como diz o abade), e é porreta ser poeta no Planeta? Vamo brincá
de teta
de azul
de berimbau
de doutora em letras?
E de luar? Que é aquilo de vestir um véu todo irisado e rodar, rodar...
Vamo brincá de pinel? Que é isso de ficá loco e cortá a garganta dos otro?
Vamo brincá de ninho? E de poesia de amor?
nave
ave
moinho
e tudo mais serei
para que seja leve
meu passo
em vosso caminho.*
Vamo brincá de autista? Que é isso de se fechá no mundão de gente e nunca mais ser cronista? Bom-dia, leitor. Tô brincando de ilha.
* Trovas de muito amor para um amado senhor - SP: Anhambi, 1959.
27/10/2010
Elizabeth Gilbert
26/10/2010
Que noite!
Tinha tudo para ser uma noite tranquila. Foi para cama por volta das dez da noite. Queria dormir no mínimo umas oito horas ininterruptas. Os últimos dias foram cansativos e nada melhor do que o sono para recuperar a voz.
Não se importava com o barulho da avenida, com os gritos ardidos dos adolescentes maritacas. Nem com a pregação em altos decibéis dos evangélicos na esquina. Nada disso ia ser capaz de demôve-lo do seu desejo de chafurdar-se nos lençóis macios do sono bom.
Antes, porém, para se certificar que tudo ia dar certo foi até a cozinha e preparou um suco de maracujá. Entre a cozinha e o quarto parou na sala para observar os seus livros nas estantes. Notou que a sua plantinha estava seca. Deu a ela uma caneca grande de água e ainda a desejou uma noite benfazeja.
De volta ao quarto notou que a mulher roncava profundamente, parecia até uma britadeira dessas com as quais os homens da Sabesp furam o chão para resolver os vazamentos de água pela cidade. Não se incomodou com isso, sabia muito bem que mulheres roncam. É da natureza humana.
Passou pela mulher e foi direto ao banheiro para escovar os dentes. Olhou-se no espelho satisfeito e resolveu render-se, enfim, aos encantos de Hipnos. Deitou-se no macio da Cama Box, respirou profundamente enquanto ouvia os últimos ônibus passando fazendo tremer o chão.
Mas uma música pequena, estridente, inesperada e interminável começou a ser executada nos seus ouvidos. Com a música sentiu umas picadas ardidas. Começou a batalha. Acendeu a luz, a mulher nem o notou. Dormia feito uma pedra, uma pedra que ronca. Tentou matar aqueles pernilongos, molhou a toalha amarela e jogou-a contra esses desafinados tocadores de violinos. Alguns ele conseguiu matar. Achou que tinha exterminado até a última geração dos pernilongos.
Fez-se silêncio novamente. Apagou a luz e retornou ao macio da Cama Box. A mulher - encolhidinha feito um rocambolé de carne moída pelo dia cheio na Firma - continuava desmaiada em sua sinfonia de roncos: ora breves, ora profundos.
De olhos fechados e ouvidos atentos o cara permaneceu em alerta. Já-já ele ia dormir, afinal tomou um copão de suco de maracujá. Não seriam uns insetos mequetrefes que lhe tirariam o prazer de uma noite bem dormida. De jeito nenhum.
Acontece que pernilongos são bichos chatos. Camuflam-se nas caixas que ficam em cima do guarda-roupa, debaixo da cama, no teto, atrás da toalha, no chão e quando você pensa que a fatura está liquidada vem aquele inseperado ataque.
O cara cobriu a cabeça, os insetos lhe picaram os pés, quando ele cobriu os pés sobrou picadas nos braços, na testa, na orelha. Por um momento chegou a pensar no rocambolé que roncava ao seu lado e concluiu que o ronco podia ser um ótimo antídoto contra esses insetos impertinentes, esses inimigos públicos número 1 do sono.
Incrível, sua mulher permanecia intacta e ilesa ao bombardeio das tropas sanguinárias desses tocadores de violinos esfomeados. Incrível, o relógio já se aproximava das quatro da manhã e ele ainda não tinha conseguido pregar os olhos.
Chegou à conclusão que o suco de maracujá fora inútil, que o macio da Cama Box de nada o ajudou, que a toalha amarela molhada não o livrou do exército dos desafinados pernilongos sanguinários, tocadores de violino.
Sentado na beirada da cama, estava inconsolável: “Como é que pode uns insetinhos desses acabar com a gente?” Disse isso quando um pernilongo gordão e enfastiado passou bem rente aos seus olhos. Ele não teve dúvida, com as duas mãos deu um telefone esmagando o inseto.
Sentiu-se vingado e finalmente pode chafurdar-se nos lençóis macios do sono bom.
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23/10/2010
Balaio de Dois no Butantã

21/10/2010
A Mulher Torta*
Obrigado à Maria, aos professores e aos alunos do Colégio São Paulo pelo carinho. Estou à disposição para conversar com os alunos.
Ah, sobre outros projetos: tenho sim. Pela Editora Positivo lancei o Casa de Arrepiar.
atenciosamente,
Paulo Netho
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Olá Paulo!




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*A Mulher Torta é um livro que escrevi, o qual foi brilhantemente ilustrado pela queriiiiiida Costança Lucas e publicado pela Editora Formato.
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Blog da Nani Braun

- A minha amiga Nani Braun criou o seu blog. Conheço a Nani já faz um bom tempo e essa mulher sempre foi generosa comigo. Lembro-me de quando tinha uma livraria "A Casa do Poeta", ela passou um mês de julho todo contando histórias para as crianças que passavam as férias na minha casa. Para quem ainda não a conhece, a Nani é atriz, radialista e, há quinze anos, é contadora de histórias. Além disso foi apresentadora do programa Eureka!, da TV Cultura, e desta experiência com grandes auditórios em programa ao vivo, tirou o formato para seu estilo de trabalho atual. Já linkei o blog dela aí ao lado.
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Viva o Saci!

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Serviço
O Autor na Praça e o Encontro de Utopias tarde poética “Sarau da Sacizada”.
Praça Benedito Calixto - Pinheiros - São Paulo
Dia 23 de outubro, sábado, a partir das 14h.
17/10/2010
Hoje tem Balaio?

Hoje tem Balaio? Tem, sim senhor!
Continuando a nossa pequena temporada no Centro Cultural de São Paulo, daqui a pouco, às 14h30, o grupo Balaio de Dois se apresenta na sala de leitura da Biblioteca Infantojuvenil Mario Milliet.
Ontem foi uma festa. O público se divertiu com os trava-línguas, tomou uns sustinhos com os nossos "medos, medinhos e medões", cantou, dançou e recitou. Eu e o Sala tentamos sair mais cedo, mas a molecada não deixou.

Depois que acabou a apresentação todo mundo queria tirar foto com a gente; nos sentimos importantes. A gente tirou fotos, as crianças brincaram com o grilo, com os bilboquês e sei lá mais o quê!
Então, depois dessa prosa toda, se puder vá lá se divertir com a gente. A entrada é franca e o seu pai não vai perder o jogo das 16 horas. Sabe por quê? Porque a gente acaba antes.
E tchau.
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16/10/2010
15/10/2010
No reino das palavras
Em 2006 lancei pela Editora Formato, o livro O Pinto Pelado no Reino dos Trava-Línguas. Naquela oportunidade, o Chico dos Bonecos fez uma análise sobre o livro, a qual eu publiquei neste blog quando ele estava em outro endereço. Essa história eu escrevi para narrar no Hopi Hari e depois foi publicada.
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Por Chico dos Bonecos
“O Pinto Pelado no Reino dos Trava-línguas”, de Paulo Netho, é uma história encantadora – misteriosa como a própria infância.
Para começo de conversa, e para a conversa começar, o autor, no primeiríssimo parágrafo, apresenta o nobre Senhor Domingos Pinto Colchão.
Logo em seguida, no segundíssimo parágrafo, o autor anuncia o sumiço do Pinto Pelado.
Conclusão: já na primeira página, o leitor fica perdidíssimo...
Para o conforto do leitor, o narrador, generoso, revela que a história do Pinto Pelado é, na verdade verdadeira, é a história da sua procura, a investigação de seus passos. Pegadas na areia? Digitais na geladeira? Sola do tênis na parede? Não, os rastros deixados por Pinto Pelado são feitos, apenas, de palavras...
A partir da página 10, o narrador, já com ares de personagem bisbilhoteiro, inicia a sua jornada circuncisfláutica atrás daquele que seria a personagem principal da história.
Então, o narrador, com ares e dares de personagem, com direito a dialogar diretamente com as outras personagens, inicia uma vasta colheita de pistas no estilo disse-que-me-disse:
“Lá, cada um dizia o que bem achava sobre o paradeiro do frango (...)” (Página 10)
“(...) imagino que ele (...)” (Página 11)
“(...) um engraxate que tinha ouvido quando alguém berrou com o Domingos (...) o engraxate ainda nos contou” (Página 12)
“(...) Consuelo Elo, que me contou (...)” (Página 14)
De repente, de rompante, o narrador-personagem, curiosíssimo, resolve abandonar a investigação – mas apenas pelo breve espaço de tempo da página 16:
“Enquanto isso, do outro lado do Reino (...)”
E logo-logo retornamos à vasta colheita:
“Dizem que (...)” (Página 17)
“Foi aí que ele conheceu (...)” (Página 18)
Quando, finalmente, felizmente, todas as informações indicam que o Senhor Domingos Pinto Colchão conseguiu sair do Reino dos Trava-línguas... O que acontece? Ficamos sabendo, apenas, o que o Pinto Pelado aprendeu.
Apenas?
A duras penas, nós, que estamos do lado de cá do papel, aprendemos que a personagem principal estava presente na história o tempo inteirinho, bem ali, debaixo do nosso nariz de leitores: o Pinto Pelado são as palavras em estado de literatura, em ebulição lúdica, em efervescência comunicativa.
“E assim termina esta história: entrou pelo pé do pinto, saiu pelo pé do pato. Quem quiser que eu conte outra que se vire e conte quatro...”
Chico Francisco dos Bonecos Marques
(Diretamente do Reino dos Trava-línguas)
14/10/2010
Eu reparo tudo
Meus passos seguem o compasso do meu coração, enquanto os meus olhos deslindam cada poção de cores, de aromas e formas.
Os ônibus vão cheios com a minha ausência dentro. A minha ausência me completa. Eu agradeço essa falta.
Um João-de-Barro. Quanto tempo não via um. Quanto tempo. Estava ali a ouvir um desavisado Sabia-Laranjeira trepado no galho de uma árvore sem motivos.
Aquela moça desviou o meu olhar empassarinhado. Agora eu a sigo por toda parte. Ela entrou na padaria, comprou pão e leite, e um chocolate branco.
Eu reparo tudo.
Um menino me cobrou um trocado, um olhar trocado...
A moça, aquela moça, cadê? Senti saudade do que nunca tive, mas não foi nada não. É como eu disse: todas as manhãs sou tomado de um sentimento.
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13/10/2010
Xô, passarinho!
O menino passou o dia das crianças na caverna. Uma caverna inventada por ele mesmo. A caverna ficava bem debaixo de um lençol azul. A entrada era uma entrada secreta, também inventada por ele mesmo, e ficava no meio do gordo colchão. De lá, o menino viu uma perna, um passarinho e reclamou assimzinho: "Xô, xô, xô passarinho!" Naquela caverna inventada no feliz por ele mesmo, o menino ficou que ficou se sentindo nas trevas boas do escurinho.
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09/10/2010
08/10/2010
Conversas fiadas
O Grupo Balaio de Dois, composto por Paulo Netho e Salatiel Silva, começa amanhã a temporada no Centro Cultural de São Paulo. Ao todo vão ser 7 apresentações na Sala de Leitura Infantojuvenil da Biblioteca da Biblioteca Sérgio Milliet. Em Conversas fiadas a plateia vai ouvir histórias, poesias e humor. São conversas temperadas por canções, poesias, lengalengas e nonsense. No programa, a inédita história O Vendedor de Sonhos e o Macaco, escrita, contada e cantada por Salatiel Silva. As crianças vão se divertir também com um detetive meio maluco chamado Sherlock Pum, numa história narrada a partir do livro homônimo de Paulo Netho, e também a história acumulativa de uma menina que reclama de tudo.
....Quando: dias 09,10, 16,17 e 30 de outubro
e também nos dias 06 e 07 de novembro.
Sábados e domingos, sempre às 14h30
Entrada franca
07/10/2010
Cartinha da Carol


EXISTEM VARIADAS FLORES
COM MUITO JEITOS E CORES
DIVERSOS TAMANHOS
E FORMATOS ESTRANHOS
E O MELHOR SÃO OS SEUS ODORES
E os cacoliques são como os limeriques só que com um pouco de cacofonia (quando a sílaba final de uma palavra se encontra com a sílaba inicial de outra produzindo um som desagradável). A professora também pediu para escrever um cacolique, o meu ficou assim:
GI NÃO GOSTA DE REPETIÇÃO
LEU UM POEMA QUE TUDO ACABAVA COM ÃO
AI QUE REPETITIVO!!!
VOCÊ NÃO CONCORDA COMIGO?
E FALOU CANSADA AVI!!! ÃO
Bem, é isso Paulo Netho. Até logo, um abraço e tchau!!!!!!!
Oi Caracol, quer dizer Carol
Aqui é o Paulo Netho que recitou a sua poesia na Feira do Livro. Logo, logo você vai se transformar numa trança rimas como a Tatiana Belinky. Eu amei o seu Limerique e o seu Cacolique. Pra falar a verdade, amei a sua cartinha e as suas explicações. Acho que muita gente que ainda não conhece esse tipo de poesia vai começar a fazer também.
Obrigado querida, escreva mais.
atenciosamente,
Paulo Netho
Pra que polimento, meu Deus?
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05/10/2010
Balaio no Centro Cultural de São Paulo
04/10/2010
Carta aos amiguinhos do Seta, "a nossa escolha"
Acabei de receber as fotos do nosso encontro do último dia 24 de setembro e confesso que gostei demais de ter passado uma tarde daquelas. Saibam que antes mesmo de muitos de vocês terem nascido eu já visitava o Seta, "a nossa escolha", a qual amo de paixão.
Enquanto via amorosamente as fotos que a Mira me mandou, falava para mim mesmo: “mas que crianças danadas são essas. Como me receberam bem! Como foram amorosas comigo! Mas que escola diferente, onde as crianças aprendem brincando!”
Tive a impressão de estar vendo um mosaico desse encontro embutido no mosaico das emoções contidas no brilho dos olhares e na luz dos sorrisos de cada um de vocês.
Aí, vim para o computador e me senti novamente menino escolhendo palavras como quem escolhe feijão ou quem descobre uma nova brincadeira. Escolhendo palavras para poder soprar aos seus ouvidos. Palavras nos dão voz e vez no mundo: não esqueçam disso, heim!
Certa vez, um professor me disse que o poeta é aquele que prepara um presente para a humanidade. Claro que deixei a escola de vocês com a sensação de encantamento. Fiquei encantado com as expressões de cada um. Expressões primeiras, desnudas de pré-conceitos. Expressões voejantes.
Sinceramente, espero que vocês continuem sendo como são: livres, leves e soltos sem medo de colocarem no mundo pitadas bem servidas de afetos, sonhos e esperanças.
Já estou com saudades,
um abraço
Paulo Netho
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Fotos: Mira Roxo

Brincando de tábobol

Brincando no quintal, na beira da horta

Mamãe, titia...
Vem ver o Thales chupando cana!

E essa garotinha também, Mamãe!

Todos tinham algo a dizer
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03/10/2010
Irene no mercado
01/10/2010
Não se avexe não
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